Cada vez mais pessoas morrem nos hospitais porque nos últimos dias a família não consegue dar aos seus entes queridos a cobertura humana e médica de que necessitam, por medo de não saber cuidar deles ou porque o casal ou os filhos pequenos estão sobrecarregados de trabalho.
Os cuidados paliativos no domicílio são de grande ajuda tanto para quem está saindo quanto para os familiares, e eu os invoco, se possível e se as condições permitirem, para tornar mais fácil para eles morrerem em casa, entre seus entes queridos, com seus objetos amados, fotos, quartos, móveis de uma vida e que eles passaram tantas experiências juntos!
É direito da pessoa, do ser, poder morrer acompanhado de sua família, entes queridos, animais de estimação, em casa ou em quarto de hospital adaptado para esse fim, sem um vizinho de cabeceira que também precise de privacidade, e ele também tem o direito de receber o apoio espiritual leigo ou religioso de que necessita.
A humanização é um direito natural do paciente e de sua família.
São momentos íntimos em que a pessoa sabe que vai morrer e quer colocar sua vida em ordem, para valorizá-lo, encontrar o significado que sua experiência na Terra teve, poder sair em paz, ter a certeza de que sua vida teve sentido e ser agradecido por tudo que ele contribuiu.
Para mim, é o momento mais importante da vida. É aquele que dá sentido a tudo e o sentido é uma qualidade preciosa e única do ser humano
Para poder falar sobre o passado, para ouvir e fazer as pazes, pedir perdão e perdoar, para falar sobre seus medos, sua dor é uma parte essencial do bom morrer e do acompanhamento. É preciso dar-lhes espaço e permitir que o façam.
Uma boa despedida amortiza a dor da partida tanto para quem parte quanto para quem fica.
Compreender que o propósito da sociedade é garantir a melhoria e o cuidado das necessidades comuns de todos os indivíduos e compreender que o nascimento e a morte são comuns a todos, Acredito que a sociedade e os Hospitais deveriam ter esse traço de humanização e sensibilidade para esse momento sagrado de morrer.
Dra.. Lujan Comas
Fundação Presidente Icloby

